29/12/2016

Réveillon Macabro



Ana resolveu curtir o réveillon na praia, com alguns amigos. Nunca tinha passado a festa de final de ano fora de casa nem longe da família.
A praia estava cheia. A maioria das pessoas vestia roupas brancas, como diz a tradição, exceto Ana, que não acreditava em superstições, e trajava um vestido preto, de tecido leve.

Famílias e grupos de amigos confraternizavam com alegria na areia, aguardando a tão esperada queima de fogos, enquanto assistiam a um show bem animado, de uma banda famosa.

A meia-noite se aproximava e, com ela, os votos de feliz ano novo. O show deu uma pausa e muitos fogos de artifício explodiam no céu, anunciando a chegada do novo ano.




Os ponteiros do relógio de Ana marcavam poucos minutos além da meia-noite quando, de repente, todas as luzes se apagaram e o barulho dos fogos cessou. Não haviam mais pessoas alegres à sua volta. Ana chamava por seus amigos, sem sucesso. O mar, antes tranquilo, revoltava-se, batendo fortemente contra as rochas. A areia da praia, antes fina, tornou-se viscosa e Ana mal podia mover seus pés, tal qual areia movediça.

Uma voz, rouca e sombria, chamou pelo nome de Ana. Ela procurou de onde poderia vir tal voz mas não enxergava nada além de um metro à sua frente. A sensação que Ana tinha era de ter sido transportada, de repente, para outra dimensão. Atordoada, novamente ouviu a voz, dizendo:

- Venha comigo, Ana, para a escuridão eterna! Nem precisaremos trocar a sua roupa, esta cor é totalmente adequada ao seu novo mundo.