10/01/2017

A Boneca Esquecida



Havia uma garotinha jovem e comum, cerca de 12 anos, como qualquer outra garota de sua idade. Seu nome era Kemille. Ela adorava sua mini-coleção de bonecas. Algumas de plástico, como Barbie, algumas de pano. A sua preferida era uma a qual ela chamava de Lari. Ela não era muito grande, possuía cabelos vermelhos, um vestido rosa e um sorriso meigo.


Kemille e a boneca ruiva eram inseparáveis. Em qualquer brincadeira, Lari devia estar lá como uma das mais importantes personagens. Porém, as coisas mudam. Naturalmente, Kemille cresceu. Fez 13... 14... 15 anos.

Kemille, a jovem, linda e atraente moça. Seu namorado, Collin, sempre tratava de ligar para ela todos os dias. Escola, amigos, passeios, internet e conversas pelo celular eram os principais interesses de Kemille agora. Onde está Lari? Naturalmente, no fundo do guarda-roupas, onde estão, também, algumas coisas que eram de sua infância.

De vez em quando, Kemille jurava encontrar Lari onde não a havia deixado, mas o quarto dela não era um exemplo de cômodo arrumado. No aniversário de Kemille, durante um passeio com seus amigos e Collin, ela ganhou, de Collin, um grande e lindo urso de pelúcia branco. Kemille apaixonara-se pelo presente! Um urso que media metade do seu tamanho!

Chegando em casa, ela o colocou carinhosamente numa de suas mesinhas de cabeceira. Um ótimo lugar! Após usar a internet e jantar, ela foi deitar-se. O dia havia sido agitado, e ela não tardou a dormir. A madrugada era chuvosa, ouviam-se vários trovões.

Kemille acordou com alguns barulhos estranhos. Pareciam... Cortes. Ela olhou ao lado e deu um berro. O urso de pelúcia que ganhara de Collin estava todo rasgado. Ela olhou assustada ao redor e viu uma coisa pequena em pé. Não uma coisa qualquer mas algo que ela conhecia muito bem. Lari, sua antiga bonequinha, que estava com uma faca na mão e alguns fiapos do urso nela.

Kemille olhava horrorizada!

Porque você não brinca mais comigo? Perguntou a boneca com voz esganiçada. Faltava um de seus olhos. Kemille não queria acreditar no que via nem no que ouvia.

A manhã chegou, e Kemille jogou a boneca no fundo de um baú. O evento se repetiu na outra noite, rasgando cartas dos amigos dela e quebrando seu celular.

Kemille acreditava estar louca. Na noite seguinte, Kemille deitou e ficou acordada.

Vamos brincar, minha querida. Você me abandonou mofando... E agora farei você abandonar alguém. A boneca andava em direção à cama com uma faca na mão e uma foto de Collin.

Lari cortou a foto de Collin. Pegou outra foto em que estava Collin e Kemille, e repartiu a foto entre os dois. A boneca gargalhava na janela, com uma chuva do lado de fora. Kemille estava aterrorizada. Me perdoe! Disse, com voz trêmula.

Você cresceu e me abandonou. Me deixou para apodrecer. Lari então se aproximou da garota e apontou a faca. Hora de cortaaaaaaar!

Kemille estava apavorada, não podia ser morta por uma boneca, e então agarrou a boneca, pegou a faca e começou a picotá-la inteirinha.

Por... Favor... Eu... Só... Queria... A boneca choramingava. E Kemille cortou a cabeça. ...Brincar... - e a voz da boneca desapareceu.

Kemille desabou em choro. Ela conversava com Lari quando criança. E não havia nada pior do que ver sua antiga companheira partir deixando algo mal resolvido. O sentimento pode acabar mas o remorso nunca. Kemille foi enviada a um sanatório.