19/01/2017

Amigos Para Sempre


Tudo começou numa briga. Fui encurralado por vários caras e então ele apareceu. Eu não sabia muito bem de onde aquele cara era, nem como apareceu lá, mas ele me salvou de levar uma bela surra. Viramos amigos, e fomos amigos durante mais de 3 anos. Só mais tarde fui descobrir que ele estudava na mesma escola que eu. Era estranho, pois eu nunca havia visto ele na escola.

Seu nome era Andrew, mas eu sempre o chamava de A.J, que era só uma abreviatura para Andrew Johnson. Os anos foram passando e nossa amizade aumentava. Estava completando três anos desde o dia em que ele me salvou daquela briga. Resolvi ligar pra ele naquela noite, para irmos em algum lugar encher a cara e, quem sabe, arranjarmos alguma garota.

Aquela noite foi incrível! Dei uma carona pra ele até sua casa e, então, fui para a minha. No dia seguinte, não acordei para ir a escola, pois estava mal pela bebedeira dá noite passada. Como eu morava sozinho, ninguém encheria meu saco por não ter ido à escola. Mesmo minha mãe morando na mesma rua que eu, com meu pai e minha tia, seria difícil ela ficar sabendo.

Andrew morava com seu pai, e nutria um amor enorme por ele. Nunca conheceu a mãe, pois ela morreu em seu parto, coisa que aparentemente nunca o abalou. Ele adorava contar histórias de sua vida pra mim, por isso eu o admirava tanto. Era aquele típico cara pacato, mas que revidava quando incomodado.

Eu tinha certeza que seríamos amigos para sempre, porém, no dia da nossa formatura escolar, um cara o ameaçou e então ele quebrou o seu braço. Eu não fiquei muito surpreso, já ele sabia várias lutas marciais. Andrew mandou o cara ir embora, que saiu nos olhando raiva.

No dia seguinte recebi uma ligação, onde diziam "venha aqui ver seu amiguinho implorar pela vida". Eu sabia que tinha a ver com aquele cara que o Andrew agrediu, então, sem pensar duas vezes, com medo que fizessem algo com o meu amigo, peguei um taco de beisebol e segui em direção à casa do Andrew. Chegando lá, vi a porta arrombada, apenas com uma cadeira escorando a porta, talvez para as pessoas não virem o que estava acontecendo lá dentro.

Entrei na casa e vi algo que mudaria minha vida para sempre: Andrew no meio de sua sala, morto,e sem os seus dois braços. Eu nunca vou entender porque alguém poderia cometer tal ato, tamanha crueldade! Lágrimas escorriam de meus olhos e então eu me lembro dos gritos que eu dei ao ver aquilo "Por que, Deus?"

Olho para a mesa e vejo o celular de Andrew. Havia uma gravação. Comecei a ver, temendo ser o que eu pensava. Confirmei a minha suspeita, era a gravação do assassinato do meu amigo. Eram exatamente 4 caras, talvez amigos do rapaz que Andrew quebrou o braço. Não quis ver o resto, eu estava em choque, minhas pernas tremendo, então resolvi entregar aquilo para a polícia. Antes, liguei para os nossos colegas e pedi para nos encontrarmos em uma hora, na minha casa. Em meia hora eu havia limpado toda a casa do Andrew, jogando fora toda a droga que estava lá. Andrew tinha sido viciado, porém havia abandonado as drogas há um certo tempo.

Após arrumar a casa dele, voltei para a minha e fiz um jantar. Quando combinei com meus colegas o encontro, não contei o verdadeiro motivo, que era falar da morte do Andrew. Eu ainda não havia ligado para a polícia, portanto só eu estava sabendo do que aconteceu. 

Tocaram minha campainha. Eram praticamente todos os nossos colegas. Pedi para eles sentarem à mesa de jantar e servi a comida simples que preparei. Após todos terem jantado, resolvi contar o que havia acontecido. Eu disse a eles que queria eternizar minha amizade com Andrew, e que eu sabia que a partir daquele dia ele sempre estaria dentro de mim.

Até hoje eu não entendo o motivo pelo qual acharam que eu matei o meu próprio amigo. Não consegui entregar o celular de Andrew à polícia e me tornei o principal suspeito de sua morte. Tentei fugir do país, clandestinamente, mas fui pego. Os policiais finalmente encontraram o celular do meu amigo e viram aquela maldita filmagem.

Não consigo aceitar que tenham me trancado aqui. Eles acham que sou louco! Não sei se foi por terem achado que eu tramei a morte de Andrew, ou pelo fato de o principal ingrediente daquela janta ser os pedaços do meu velho amigo.

Esse pequeno pedaço de papel onde escrevo e esse toco de lápis é tudo o que me sobrou nesse lugar horroroso. Não importa mais o que aconteça, sei que Andrew sempre estará dentro de mim.



Texto adaptado da internet.