17/01/2017

Nada faz Sentido




Nada faz sentido. Nada!

Passaram-se anos, e nada se realizou.

Casei-me, tive filhos, arranjei um emprego, me mantive e cresci dentro da empresa. Tinha tudo pra levar uma vida razoável, mas nada havia se realizado.
Meus sonhos mantinham-se distantes, minhas esperanças nulas. Minha vida rumava a um buraco negro, cheio de caos, vazio e solidão. Não havia porque continuar.

Mesmo assim, ainda mantinha minha "casca" alegre. Minha família, meus amigos, todos achavam que eu era a pessoa mais satisfeita do mundo. Ninguém podia saber dos meus medos, das minhas angústias, das minhas fraquezas. Porém, já não tinha como continuar. O medo me seguia por todos os cantos. Meus prantos eram em silêncio, mas eram contínuos.

Por meses, eu não havia dormido sequer vinte horas. Não havia, mesmo, um motivo para seguir adiante.

O tiquetaquear do relógio me assombrava, os rangidos noturnos da casa, mais ainda. Pareciam rir de mim. Riam o tempo todo. Meus amigos, minha família, estranhos na rua, todos riam de mim. Era assim que eu enxergava as coisas.

O suor escorria pela minha testa. Minhas mãos tremiam como nunca. Não havia mais o que fazer, os demônios me cercavam, me assombravam, falavam comigo dentro da minha cabeça. Em meio a esse mar de tormentas, nada me restava além de puxar o gatilho e acabar com tudo de vez.

Meu desespero chegou ao fim. A luz veio aos meus olhos, minhas metas foram alcançadas. Sorrio, pensando em como o mundo é um lugar horrível e eu, agora, estava livre dele.

O metal frio encostado em minha fronte, os últimos segundos de tensão, a pressão sobre o gatilho, o barulho da bala atravessando meu cérebro, abrindo minha cabeça, e, enfim, me trazendo paz.



Texto adaptado da internet.